Meus Artigos












Diálogos...

Manuela Grangeiro (Dra. em Educação) Fortaleza-CE: O conhecimento acadêmico significa para mim um estudo teórico e de pesquisa sobre as mais diversas áreas. Como dialogar com o conhecimento acadêmico sem comprometer a autoestima e a alegria de viver?



O texto que segue foi inspirado por essa inquirição...

Conhecimento: Da vivência para o significado e do significado para a vivência.

Marcos Cavalcante

Parafraseando Vinícius na letra “Como dizia o poeta”, eu diria... Quem conhece o que conhece, e não viveu, pode ter acumulado muita informação, mas sabe menos do que quem o viveu... Quem conhece o que viveu sabe por que se deu, por que amou, por que chorou, por que perguntou, por que viveu...

O conhecimento não evocado pela vivência apresenta características de dominação psicológica, não contagia, não envolve, não tem poder criador, não transforma. Corre o risco de se tornar apenas uma estrutura, lógica, estética e árida, destituída de um sentido existencial autoapropriado. Limita-se ao campo cognoscível, estético, lógico e superficial. É frágil às perguntas, estas, indicam possibilidades...

Quem divulga um conhecimento dissociado da sua vivência, tende a argumentar com tom de autoridade, conduta árida, fria, moralista, determinista e cética. Possivelmente absorveu o conhecimento de forma passiva e inerte. Por outro lado, um conhecimento prenhe de vida contagia, estimula inquirições porque o seu dínamo faz mover. Exprime a razão de ser de alguém em sua busca de sabedoria e sentido na vida, tecidos em suas interações.   

Na Bíblia Sagrada, o livro de [1]Provérbios indica que há três métodos para se adquirir sabedoria: Primeiro por reflexão, considerado a mais “nobre”; segundo, por imitação, considerada a mais fácil; terceiro, por experiência que é a mais amarga. A mais amarga traduz o sabor de quem protagoniza corajosamente um diálogo autodescoberto com o mundo, parindo-se a si mesmo em conhecimentos vivenciados. “Mistérios de Deus tão guardados, por fim revelados, nus, sob o sol...”

[2]“Produzir o mundo é o cerne pulsante do conhecimento e está enraizado em nossa estrutura cognitiva, por mais sólida que nos pareça à experiência.” (Humberto Maturana)

Conhecer o mundo é conhecer a si mesmo. Esse fundamento sobre o conhecer o conhecer, apresentado por Maturana, adverte-nos que o conhecimento do mundo é o conhecimento de ser no mundo.

Ser no mundo, é um processo que envolve descobrir o sal que está na própria pele, ao longo de interações criativas em grupos, nos ciclos sem fim da vida...

Esse conhecimento quando apropriado pela visão positiva do olhar de si, no diálogo com o mundo, favorece a autoestima, por revelar a qualidade que lhe pertence, satisfeito com a sua identidade em expressões livres e espontâneas em interações criativas em grupo.

A linha de Inteligência Espiritual e Criatividade em Grupo indica que o conhecimento capaz de gerar progressos na vida, apoia-se na autoestima por ser um ato de valorização da vida gerando vida.

A valorização da vida requer do professor e do aprendente, o esforço contínuo para manifestar o belo, o bom e o perfeito, inerente aos potenciais referentes à própria natureza, e assim, poder parir o conhecimento capaz de gerar novas formas de ser e estar na vida, vivenciando suas possibilidades infinitas, ao mesmo tempo em que transforma a cultura, transformando-se como metamorfose ambulante em interações contínuas.

Apropriar-se do conhecimento teórico, do significado para a vivência - percebido através dos sentidos como realidade absoluta e mecânica -, pode engessá-lo na memória e transformá-lo em uma estrutura de modelo mental reprodutivistas, dominadora, utilizando-se de palavras como ”sopa de letrinhas”, capaz de inibir tanto o próprio livre-arbítrio, como o do outro que irá tomá-la. Por efeito, reforça-se um controle externo que pode demarcar uma hierarquia de dominação psicológica, interferindo na cultura, bem como na autoestima do professor e do aprendente, castrando ou inibindo a liberdade de escolha em ambos. Desse modo, não revela suas almas em livre expressão, e mais, inviabiliza interações criativas.

Sem um sentido existencial autoapropriado e autodescoberto, o conhecimento pelo conhecimento, em si, não é substância da vida. Não há qualidade inerente nele. O que atribui qualidade ao conhecimento é a mente criativa que visa vivificar algo em processos interativos em qualquer nível do viver através do livre arbítrio...

Viver é um eterno conhecer-se em interações criativas... É conhecer o conhecer no modo como se dá em si, como diz Maturana. É saber-se em liberdade de escolhas geradoras de movimento e mudanças. É evoluir através de inquirições desejando ser mais do que é culturalmente, buscando ser tudo que é em suas potencialidades naturais.

O conhecimento acadêmico segue o rigor da ciência com seus pressupostos teóricos e metodológicos nos caminhos da investigação, retratados em ensino, pesquisa e extensão. Assim recorrem à natureza, esta, desnuda-se a quem deseja evocá-la para gerar mais vida, procurando por algo mais.

Mas é importante lembrar que esses símbolos do conhecimento acadêmico conduzem a mente à verdade, mas não são a verdade, daí ser enganoso adotá-los como um fim em si mesmo, e segui-los desligados da consciência de nossa própria experiência, reações, sentimentos e realizações. Ele se torna vivo quando traduz a nossa experiência de ser e pertencer para transformar e inovar.

[3]“Nós construímos modelos de como construímos o mundo exterior, e quanto mais informações temos, mais refinamos nosso modelo de um jeito ou de outro. Em última análise, o que fazemos é contar para nós mesmos uma história a respeito do que é o mundo exterior. Qualquer informação que processamos e assimilamos do ambiente, vem sempre com as cores das experiências que tivemos, e de uma reação emocional que temos daquilo que estamos incorporando.” (Quem Somos Nós)

Conclamo aprender a conhecer, conhecendo-se da vivência para o significado, na busca de gerar progressos no mundo, orientando-se pela inteligência espiritual em processos de criação, em interações grupais contínuas com motivação para Ser-Vir.

Uma pessoa com elevada autoestima, pode recorrer à razão como um território fértil para um diálogo autoconsciente, e assim, conduzir suas inquirições e argumentações, reconhecendo que a sua vida é sempre uma grande pergunta atrás de uma grande resposta.  Caso essa experiência cognitiva não lhe envolva de maneira pessoal, essa experiência com o conhecimento perde a força existencial, e por efeito inibe a sua autoestima.

A autoestima é fundamental na vivência desse mundo complexo, bem como no desenvolvimento da fluidez na produção do conhecimento, seja ele acadêmico ou não. Nesse território, professor e aprendente podem despertar para suas realidades através do conhecimento vivencial, e assim, abraçarem a própria natureza, imprimindo valor mútuo ao conhecimento dirigido a espaços criativos de visão compartilhada. Isso é consolidado no vínculo, pertencendo, indicando o horizonte que permite ultrapassar a ilusão do conhecimento como fator de dominação, tensão e resistência que prende a individualidade.

A pessoa que realiza o seu eu através de um conhecimento eleva a autoestima. Ela se torna uma presença no mundo que pertence a relacionamentos íntimos, criando realidades diferentes, gerando efeitos de felicidade em seu viver protagonizando suas perguntas para a vida com espírito livre, encarando com determinação criativa o que é plural e diverso.

Compreendo, portanto, através da linha de “Inteligência Espiritual e Criatividade em Grupo”, que o conhecimento permeado de sentido vivencial, congrega conceitos que se relacionam entre si com a vida de quem o produz na busca de Ser-Vir. Assim, imprime consciência de avanço no tempo, anunciando de modo abrangente, o modo como cada pessoa significa suas emoções, não havendo descontinuidade no conhecimento que lhe traduz no mundo com autoestima elevada.



[1] CNBB. Bíblia Sagrada. São Paulo – SP. Ed CANÇÃO NOVA; Décima Edição.
[2] MATURANA, H. e Varela, FA Árvore do Conhecimento.  Campinas – SP.  Ed PSY,1987;
[3] ARNTZ, W. Quem Somos Nós Rio de Janeiro – RJ.  Prestígio Editorial, 2007;
 ---------------------------------------------------
O texto abaixo foi inspirado  pelas inquirições da minha estimada amiga Vanda Fernandes (Bacharel em Filosofia e militante nos Movimentos Sociais):

"Qual  o teu olhar quanto em que medida o autoconhecimento contribui, interfere, perturba as relações interpessoais, e como estas podem tornar ou não o ambiente–espaço, casa, família, trabalho, sociedade, enfim... Enquanto espaços nutritivos, de convivências saudáveis, de reciprocidade e paz? Diferentemente do que tem prevalecido ultimamente..."




Autoconhecimento e Harmonia nas 
Relações Interpessoais

[1]Marcos Cavalcante

A incapacidade de nos darmos bem com as pessoas que desejamos nos entender, mencionado por [2]William Glasser em sua “Teoria da Escolha”, parece-me ser algo que corrói a alma da maioria das pessoas em sua busca de harmonia nas relações interpessoais.
Vejo que o [3]altruísmo biológico, inscrito em nossa memória celular, determina que o melhor relacionamento seja quando um precisa do outro. Isso requer o meu reconhecimento desse propósito comum como fonte motivacional, seguindo o fluxo da autorrealização criativa inerente ao curso natural da vida, unindo-me ao outro, vivificando nossas interações com transformações mútuas em ciclos sem fim, responsabilizando-nos pelo progresso em nossas escolhas conjuntas.

Para todos os propósitos práticos, nós escolhemos “tudo o que fazemos”, inclusive a infelicidade que sentimos. As outras pessoas não podem nos tornar felizes ou infelizes. Tudo que podemos dar ou obter das pessoas são informações. [4](William Glasser)

A minha natureza grupal e o meu livre arbítrio, estão a todo o momento me lembrando de que a vida é feita de relacionamentos e escolhas. Isso requer da minha autoconsciência, uma revisão periódica sobre o meu propósito com o outro: Juntos para quê?
Essa revisão envolve a atualização do meu foco motivacional, integrado ao objetivo comum com o outro, sustentados pelo alinhamento de valores que irão subsidiar a nossa visão compartilhada com harmonia em decisões conjuntas, frente aos processos de criação que nos desafiam uma resposta, até atingirmos o progresso que desejamos alcançar juntos. Mas não confundamos harmonia com equilíbrio. Harmonia é instável, é movimento. Equilíbrio é estável, algo estático.
 Desse modo, de tempos em tempos, pergunto-me pelo sentido da vida, na busca de compreender quem sou e com quem estou. Isso é autoconhecimento, é o meu conhecimento interior na busca pela sabedoria que me oriente na superação daquele nível de consciência em que me encontro, e que me causa insatisfação no diálogo com a realidade de minhas interações.
Sendo assim, compreendo o autoconhecimento, como a minha busca pelo sentido na vida. Essa vivência é pessoal, intransferível e incomparável. Saber-me num sentido na vida, faz-me exercer a liberdade de escolha, isso contribui e colabora para a minha entrega junto com outro em nossas interações. Desse modo, o autoconhecimento “influencia”, e até colabora para uma melhor atmosfera na convivência com o meu semelhante por ser um caminho de libertação interior, que me torna disponível para gerar progressos através de ações cooperativas, solidárias e criativas na vida.
No entanto às leis da manifestação da vida indicam que Ser-Vir é a força agregadora que verdadeiramente irá produzir o efeito de harmonia nos relacionamentos. Ser-Vir é uma atitude inerente a razão de ser da minha natureza humana geneticamente grupal. Essa vocação natural é favorecida quando estou sem a trava no meu olho, e consigo enxergar as necessidades do outro para atendê-lo satisfatoriamente. Portanto, a natureza nos adverte que entre quem serve e quem é servido, não cabem interesses antagônicos.

Não devemos permitir que alguém saia da nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz... ([5]Madre Tereza de Calcutá)

A harmonia nas relações interpessoais é efeito do amor recíproco entre quem dar e quem recebe. É quando afetivamente lanço o olhar empático e misericordioso sobre as necessidades do outro, e criativamente enxergo o que fazer para despertar a sua livre expressão, tal como ocorre em uma dança espontânea.
A harmonia, portanto, é o efeito da comunicação que flui naturalmente na interação cujo compromisso é Ser-Vir. É uma comunicação entre eu e o outro, que colabora para adaptações e transformações mútuas, animadas por uma alegria natural revelada em um recíproco agradecer.
Mas se eu disparo o gatilho do autoconhecimento motivado pela autoimagem idealizada, visando me trabalhar estrategicamente para ter paz na interação com o outro, posso desencadear neste nível de consciência um controle externo sobre o outro, iludido pelo desejo de harmonia e paz entre nós.
Percebo a harmonia como a celebração do encontro entre eu e o outro. Efeito do amor, da entrega e gratidão, desvelados pelo meu desejo de Ser-Vir em um propósito comum, e não propriamente um alvo a ser atingido para intento comportamental. Se nessa interação o meu foco for a “harmonia”, e não o Ser-Vir em um propósito comum, posso manipular a minha comunicação com o outro através de negociações alternadas por momentos de condescendência e conveniência, na tentativa de evitar alguma forma de conflito entre nós. Mas essa busca de harmonia no fundo é autoengano, traduz melhor uma busca por equilíbrio em forma de controle, no desejo de ter razão, visando aprovação, temendo a rejeição e querendo que o outro pense igual. É uma forma de aliciar a liberdade de escolha do outro. Essa tentativa de equilíbrio disfarçada pela busca de harmonia gera tensão emocional e um campo fértil para o conflito.
Essa tensão emocional, sugerindo-me uma busca pela a harmonia em minhas interações, normalmente ocorre quando eu e o outro somos chamados a fazer escolhas conjuntas. Mas antes disso, seria positivo nos perguntarmos individualmente: O que eu estou prestes a fazer vai me aproximar do outro ou nos distanciará ainda mais? Para que estamos juntos? O que estamos para celebrar? A minha função nessa interação é dar ou receber? Que tipo de progresso nos comprometemos em realizar juntos?
Frente aos desencontros com o outro, a vida está sempre a me advertir que qualquer forma de controle externo, é uma tentativa de forçar o outro a fazer algo que talvez ele não queira. E que todos desejam e precisam de liberdade. Então, volto a me questionar: Para que estamos juntos? Interesses antagônicos não favorecem o diálogo.
Enquanto eu e o outro estivermos submetidos ao controle externo sempre haverá comparações, desejo de aprovação de uma imagem a ser protegida, dependências de elogios e premiações visando elevar a autoestima. A ameaça de julgamentos que promovam a rejeição, gera essa tensão emocional que induz o controle e a dominação sobre o outro. Esse território é um campo minado, indicando a impossibilidade de um diálogo harmonioso.
Pelo exposto aqui, reafirmo que o autoconhecimento não gera harmonia nas relações, mas se transforma na harmonia interior que me possibilita a pureza de coração, permitindo-me celebrar a unidade no encontro com o outro através de um propósito comum vivificante, livre da necessidade de controle externo e expectativas de resultados preestabelecidos.
A harmonia, portanto, resulta das minhas conquistas de sabedoria, libertando-me daquilo que me impede de ser livre, somando empatia com o meu desejo de ser solidário em práticas cooperativas, em que expresso os meus potenciais, provocando a expressão dos potenciais do outro, visando escolhas favoráveis à sua felicidade.
Para Ser-Vir escuto o som do meu coração em forma de canção, e junto com o outro, movidos por esse sentimento, celebramos lindas danças, plenas de sentido afetivo. A harmonia surge como efeito dessa música, anunciando em unidade que não precisamos nos cobrir de razões, mas nos cobrir de amor e descobrir a razão de tudo que nos faz dançar com o outro.



[1] Blog: marcoscavalcantefv.blogspot.com
[2] GLASSER, William. Teoria da Escolha. São Paulo –SP. Ed MERCÚRYO, 2001;
[3] MATURANA, H. e Varela, F. A Árvore do Conhecimento.  Campinas – SP.  Ed PSY,1987;

[4] GLASSER, William. Teoria da Escolha. São Paulo –SP. Ed MERCÚRYO, 2001
[5] BELLINZAGHI, Roberta. Cinco Minutos com Deus e Madre Tereza. São Paulo –SP. Ed      PAULINAS, 2012


-------------------------------------------------------------------------------------------- 


Diálogos... O tema abaixo me foi sugerido pela Professora do Município de Pacatuba Fortunata Carvalho, a quem carinhosamente dedico a inspiração dessa Fonte Viva. 
  
        O DUALISMO E A BUSCA DA       ESSÊNCIA DO EU
“Conhecerei a verdade e ela vos libertará”  
     
[i]Marcos Cavalcante

Diz o dito popular, “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. Qual das opções é a melhor, esta ou aquela? Esse dualismo gera dor na consciência. Essa dor é a diferença entre o que é e o que eu quero que seja.
Comungo com a premissa de [ii]Joel Goldsmith no esclarecimento sobre a causa do dualismo, disse ele: “Todos os males, de qualquer espécie, vêm da fonte negativa do nosso ego humano, e a libertação desses males vem unicamente da atuação positiva do nosso Eu divino”.
A realidade, seja ela indesejável ou inevitável, é aquilo que é. Ela se desnuda em um campo de possibilidades, como totalidade indivisível no centro do ser, exigindo-me responsabilidade ética enquanto ser reflexivo que sou. Ela é aquele meu estado essencial, misterioso e inefável, meu ponto interno de referência, território da verdade que me possibilita a comunhão capaz de vivificar algo criativamente em interações, encurtando distâncias e eliminando barreiras, visando a manifestação do belo, do bom e do perfeito inerente a tudo que é vivo.
Quando interrompo o diálogo entre esse ponto de referência interno e a realidade, perco-me da unidade com ela, surgindo nesse lugar um olhar fixo sobre algo que passo a chamar de objetivo, de um fora. O ego, portanto, passa a ser o meu estado de referência aos objetos. Através dele me vejo através dos olhos de outras pessoas. Isso me deixa constantemente atemorizado porque tudo que faço prevê sempre uma resposta de controle externo, e por efeito, ele está fixamente se perguntando como algo deve ser, se algo está certo ou errado.
O meu eu essencial, é uma Fonte Viva, é essa parte profunda de mim mesmo que está para além dessa autoimagem idealizada do ego que fabrica o tempo com seus papeis e funções. A Fonte Viva não tem tempo, ela é esse fator sem tempo que está presente em todas as experiências como potencialidade pura no aqui-agora desejando manifestar-se em possibilidades. Quando o meu ponto interno de referência muda e deixa de ser o ego, para ser a Fonte Viva, eu me converto espontaneamente em testemunha alerta do meu próprio eu, como vanguarda da pergunta sobre como algo pode ser. E nesta observação alerta há desapego, há desprendimento. E no desprendimento a gente reconhece que o ego não é os personagens que representa a nova resposta. Na verdade posso desempenhar ao longo da minha vida uma infinidade de papeis e funções, mas eu não sou a imagem mental que justifica os papeis ou funções que desempenho, e sim o modo como os desempenho de diferentes maneiras, inspirado por uma Fonte Superior para dar nova forma a vida em comunhão.
[iii]“Se percebemos que a vida realmente tem um sentido, percebemos também que somos úteis uns aos outros. Ser um ser humano é trabalhar por algo além de si mesmo (...). O homem não deve perguntar pelo sentido da sua vida, mas ele deve perceber que é a vida é que o pergunta” Viktor Frankl
A compreensão adequada de quem sou realmente, orienta-me a disponibilizar os meu dons e talentos para servir e vivificar, assim, aprendo errando, prossigo em unidade como eterno aprendente, enquanto o ego, em sentido contrário,  está sempre procurando aprender com os seus próprios erros com vistas ao controle externo.
Apoiado na Fonte Viva como minha fonte de referência interna, pergunto-me como posso ajudar e celebrar possibilidades no encontro com o outro. Apoiado no ego, gero o dualismo, quero sempre saber como controlar, ganhar e obter vantagens.
Através da autoconsciência observo com aceitação e gratidão o que sente o meu coração. Assim, saio do nível inconsciente para o reino do nível consciente. Afirmo a minha liberdade afirmando externamente a minha autonomia humana, em meus pensamentos, palavras e atos como fios de amor tecendo a manifestação da vida em processos de criação evocados pela unidade que me faz ser e pertencer celebrando a liberdade do outro em ciclos sem fim.





[i] Blog: marcoscavalcantefv.blogspot.com
[ii] GOLDSMITH, Joel S. A Arte de Curar pelo Espírito. 4 Ed. São Paulo –SP. MARTIN CLARET, 2004. 177 p.
[iii] FRANKL, Viktor E. Em Busca de Sentido. 13 Ed. Petrópolis/RJ. VOZES, 2001. 131 P.
--------------------------------------------------------------------------------------------


Inteligência Espiritual e Criatividade em Grupo: um Caminho para a Educação do novo Milênio.

Autor: Marcos Cavalcante
Blog: marcoscavalcantefv.blospot.com

Inteligência Espiritual e Criatividade em grupo é um proeminente ensinamento que visa o despertar dos potenciais humanos Ser-Vindo.

Demonstra que gerar progressos na vida requer o esforço contínuo de manifestar o belo, o bom e o perfeito, inerente aos potenciais da natureza, e assim, gerar novas formas na vida, transformando-se em suas possibilidades infinitas, transformando a cultura como metamorfose ambulante em interações contínuas.

Desenvolve-se essa Inteligência, combinando talentos e integrando valores. Respeitando-se, desse modo, o nível de consciência individual de cada um e cada uma ao potencializar-se, potencializando o outro em ciclos sem fim. Nessa vivência cada indivíduo se torna o seu próprio redentor.

Criar em grupo, portanto, é buscar um sentido coletivo na vida, cuja empatia motiva a revelação livre e expressiva das capacidades inatas de cada indivíduo em sua busca conjunta de gerar novas formas no compromisso e responsabilidade de vivificar a sua realidade de sentido. Desse modo celebram a vida através do encontro, integrando o potencial infinito da natureza individual, no esforço continuado de transformar a cultura em ciclos sem fim.

Podemos compatibilizar essa linha pedagógica com o "Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI" - “Educação um Tesouro a Descobrir”. Ele descreve o novo milênio como um tempo de interdependência planetária, exigindo uma consciência cidadã apoiada em corresponsabilidades e sustentabilidade ecológica em nível global. Aponta que o mundo complexo requer de seus cidadãos uma mente autoconsciente, aberta, flexível e criativa, capaz de adaptação inteligente às circunstâncias de cunho imprevisível e incerto, visando encontrar soluções sustentáveis para o meio em que vive.

O mesmo Relatório sugere uma educação capaz de conduzir o sujeito aprendente a se compreender ao longo de toda a vida, compreendendo o semelhante e a realidade que tecem juntos, considerando a complexidade do mundo vivido que propõe quatro pilares de sustentação para uma educação autoconsciente e proativa: aprendendo a aprender, aprendendo a fazer, aprendendo a trabalhar junto e aprendendo a ser.

No exercício das minhas práticas como educador, tenho visto nos mais diferentes espaços escolares, a dificuldade dos professores sobre a compreensão acerca da natureza da própria mente, e como produto dessa vivência, saber como levar o aprendente a ser protagonista, encontrando um sentido pessoal e dialógico através do currículo escolar.

A “Inteligência Espiritual e Criatividade em Grupo” é um caminho de volta ao começo, possibilitando a redescoberta do sal que está na própria pele, conduzindo à compreensão da própria mente de modo autoconsciente, integrando sentido e significado na vivência de liberdade vinculada, sacralizando cotidianamente a vida na experiência criativa de ser e pertencer em ciclos sem fim.

Ao favorecer a visão integrada em cada pessoa, através da elevada prerrogativa de que o saber deve ser também a aspiração máxima do seu espírito, e a criar suas próprias defesas mentais adotando uma posição inabalável, que o faça invulnerável à influência de qualquer pensamento sugestionador que tente subjugá-lo ou intimidá-lo, a “Inteligência Espiritual e Criatividade em Grupo” se constitui em um sistema coerente que integra leis da vida de forma interdependente a favor da evolução da mente humana, enquanto fragmento da mente universal.

Ao ensinar a acumular e concentrar essas energias destinadas a fortalecer o espírito e a promover o ressurgimento do ser consciente em esferas superiores de evolução, lembrando que tudo principia na própria pessoa, a “Inteligência Espiritual e Criatividade em Grupo” possibilita uma profunda compreensão da dinâmica mental do psiquismo, e deste modo, pode contribuir para que o professor possa explorar uma didática que seja favorável ao conhecimento de si mesmo, e da evolução consciente do aprendente, mediante a organização dos seus sistemas mental.

Assim vejo a “Inteligência Espiritual e Criatividade em Grupo”, “ciência do Ser-Vir”, preconizada por mim, contribuindo com a educação do novo milênio, explorando o autoconhecimento, possibilitando a emancipação do aprendente ao focar a identificação, classificação e seleção dos próprios pensamentos, conduzindo este ao conhecimento de si mesmo, do outro, do meio, de Deus, do universo e de suas leis eternas de modo proativo, gerando soluções sustentáveis para um mundo cada vez mais plural e diverso.
---------------------------------------------------------------------------------------------------------------



Solidariedade é Ser Alguém Total em Atos de Criação...
Marcos Cavalcante
Quem quer um pedaço, um pouco de alguém?
Parafraseando a letra da música Alguém Total, eu diria:
Vem me ajudar, vem... Mas repare bem, quem ajudou a quem, já que vou lhe ajudar também?
Quem é solidário não sabe se deu, ou se devolveu, ou se perdeu. Quando a ação solidária sai de alguém e não volta, é porque não envolveu. Anunciou, mas não renunciou, não dissolveu.
A prática solidária quando vai além do instante, aí, envolveu, daí você tem alguém total. Esse laço é recíproco entre pessoas independentes. Unidas por um interesse comum, assumem a responsabilidade moral de apoiar o outro no caminho da sua autorrealização, e de mãos dadas aderem uma atividade ou causa que irão vivificar mutuamente.
Pensar em dar, visando receber gera uma distorção da lei do retorno. Nesse caso não há unidade, não há empatia, não há vínculo, não há envolvimento. Ali inexiste a visão que enxerga as reais necessidades de autorrealização do outro.
Dar visando receber é uma troca. Essa conduta pode se converter em relações de controle e dependência, que ao invés de vivificar, e gerar abundância, inibe às expressões, enfraquece a autonomia do outro fortalecendo a idéia de que o controle externo trará os melhores resultados de satisfação pessoal. Isso é um equívoco sobre a prática solidária amplamente percebido em nosso meio cultural. É quando a pessoa que dá, não se dá, mas oferece uma isca invertendo a situação para receber daquele a quem deveria dar. Entendo que Jesus quando orientou que “deveríamos dar ao outro o que mais gostaríamos de receber”, Ele nos advertia que o verdadeiro dar-se é um ato de renúncia egocêntrico.
Ser solidário é enxergar a natureza inibida do outro por trás de uma dada situação, e oferecer os dons pessoais manifestados em competências e habilidades para possibilitar a pronúncia da natureza do outro e leva-lo a autorrealização em seu percurso de evolução humana.



--------------------------------------------------------------------------------------

O MUNDO COMPLEXO NÃO É DE COMPETIÇÃO, MAS DE CRIAÇÃO: 
VOCÊ ESTÁ AQUI PARA CRIAR, NÃO PARA DOMINAR...
Marcos Cavalcante


Vi no século XX muitos movimentos transgressores, organizados para romper o cerco da repressão e gritar o direito de criar em busca do exercício da livre expressão. Surpreendo-me em nossos dias, em pleno século XXI, com a conduta invertida de algumas dessas pessoas, que hoje usam discursos de vanguarda, oportunos ao mundo complexo, incerto e imprevisível para manterem uma prática dominadora e conservadora.
Essa prática de dominação conservadora anda na contramão do mundo que busca nas parcerias, soluções criativas para os seus desafios. Ao invés disso, essas pessoas copiam idéias, não criam nada original e vendem o sonho do sucesso com argumentos sofistas de autoridade, estrategicamente envolventes e bem estruturados, para convencer pessoas, assim como elas, inseguras, com baixa autoestima e dependentes ao consumo de suas promessas autoenganosas.
Controle e dominação são absolutamente incompatíveis com necessidades imprevistas e de difícil compreensão, tão comuns aos nossos dias. Esse mundo precisa com urgência imediata de pessoas autônomas, livres, capazes do conviver com o diferente, hábeis tanto na realização do diagnóstico participativo frente ao caos, como na resposta conjunta e criativa aos desafios que dali emergirem.
“Eu vim criar um caos em você, porque é do caos que nascem as estrelas” Osho
O mundo complexo é uma teia global com interdependência planetária, geradora de influências mútuas do local para o global e do global para o local. Essa teia é tecida através de um desafio criativo após outros produzidos e respondidos por pessoas, grupos, cidades e nações. Isso evoca em cada um, o olhar focado e a responsabilidade criativa de encontrar respostas satisfatórias a esses desafios a partir do solo que pisam, e continuamente fazer diferente do passado.
O desafio, portanto, é possibilitar no olhar de todos o foco no presente com as suas incertezas, e romper com o paradigma das certezas, no olhar do tolo que deseja uma prova do que não consegue perceber em um mundo imprevisível, e libertá-lo dessa crença de querer tentar fazer o outro acreditar nisso.
O que contagia é a vivência da verdade pronunciada pela alma que encarna no mundo com empatia, energia e entusiasmo. Uma conduta de dominação, mesmo que mantida por temas inovadores, não é capaz de fazer brotar a criatividade, ao contrário, engessa, limita pelo previsível, gerando efeitos de dependência e codependência. Não sei se essas pessoas imaginam os transtornos que provocam no olhar de outras, confundindo-as, reforçando o seu egoísmo, enquanto o mundo busca nelas respostas livres e criativas aos seus desafios.
Nesse tempo de movimento dinâmico em que a única coisa que não muda é a própria mudança, a conduta humilde e um espírito aprendente, podem libertar os dominadores equipados para viver no mundo que não mais existe.
A complexidade adverte que o paradigma das certezas interrompe o diálogo com o mundo das incertezas. Isso nos convida a olhar para o presente inspirados pelas borboletas que nos fazem lembrar que na vida tudo se transforma sempre de dentro para fora. Que o conhecimento que temos, todo mundo pode ter, mas o que fazemos com ele no diálogo presente com o mundo, ninguém pode fazer, pois trata-se de uma habilidade pessoal despertada pelo imprevisível, em um sentido pessoal e intransferível, porém compartilhado no ato cooperativo e solidário de Ser-Vir.
“Quem fala, não faz. Quem faz, não fala.” Alimento a esperança de a qualquer hora, quando essas pessoas forem perguntadas sobre o seu passado, elas simplesmente respondam que estão no presente e não vivem mais lá. Nesse momento é bem possível que o mundo esteja progredindo com a sua criatividade e não mais limitado por suas condutas dominadoras e anticriativas. 

--------------------------------------------------------------------------------


  Espiritualidade no Trabalho
               

                                                      


“Colocar questões fundamentais e captar a profundidade do mundo, de si mesmo e de cada coisa constitui o que se chamou de espiritualidade. Ela deriva de espírito. Espírito não é uma parte do ser humano. É aquele momento de nossa consciência pessoal que nos permite sentirmo-nos parte e parcela de um Todo que nos ultrapassa por todos os lados: o universo das coisas, das energias, das pessoas, das produções histórico-sociais e culturais. Pelo espírito captamos o Todo, e no Todo encontramos Deus, o Grande Espírito.” (Leonardo Boff, 2006)



A Espiritualidade no trabalho compreende o alinhamento de autoconsciência e vínculo com o que se faz, isso é o contrário de alienação, estado inconsciente de trabalho em que o sujeito, reativamente, levado pelos condicionamentos socialmente influenciados não se reconhece naquilo que realiza.

A Espiritualidade no trabalho é uma qualidade do espírito que denota algo a mais do que o simples gostar do que se faz. Retrata o entusiasmo, o prazer, a alegria e o amor naquilo que produz criativamente no trabalho. Também não se trata de um prazer isolado de satisfação egóica, ao contrário, revela a paz profunda advinda da atitude de entrega da pessoa acerca daquilo que realiza junto com o outro para ser presença e luz criativa no exercício de melhor contribuir para gerar vida em abundância entre os semelhantes e seu meio social.

O trabalho é o espaço de darmos forma a algo, ou seja, de criarmos a expressão de nossa identidade, encarnando-nos num mundo livre e plural. Isso é real quando vivido com autoconsciência, amor e misericórdia, quando nos tornamos verdadeiramente útil ao mundo. Esse servir incondicionalmente a quem necessita beber de nossa fonte é uma forma concreta de expressão plena de nossa natureza.

Havendo repressão oriunda das estruturas sociais, inibindo a experiência de amor e liberdade, cabe-nos radicalizar a consciência acerca do que fazemos e reconhecermos na dor o seu contrário, onde bate forte o nosso coração, e assim, vivermos o principio criativo: “quem sabe faz a hora não espera acontecer”.

Fazer a hora é viver intensamente o presente, não pregando, condenando ou apontando acusadores – como é próprio das pessoas reativas e reprodutivistas do desejo de poder. Mas propondo, pensando junto, criando, avaliando e assumindo a dianteira da vida proativamente a serviço do bem, da vida saudável e pura de coração. 

Mude o mundo mudando sua forma de lidar com ele. Saia do discurso repetitivo e acusador e transforme-o em convite para pensar junto àqueles que lhe interessa. Seduza-os pelo respeito mútuo e seja transparente no seu entusiasmo amoroso ou por seu testemunho. Pergunte, transforme suas preciosas teses em perguntas e permita-se renová-las perenemente. Transforme-se num vir a ser, numa perspectiva criativa e saia desse isolamento mental glacial que lhe inibe a consciência das emoções subjacentes a uma realidade plena de mistérios, que lhe convida a exercer a vivência da criatividade.

Na simplicidade, na humildade e na afetividade encontramos o apoio para sermos verdadeiramente amorosos, entregues e gratos ao momento presente que nos convida a aprender a aprender permanentemente enquanto seres criadores. Não julgue ser melhor ou mais sabedor que alguém, incline-se a conhecer o significado do outro, mesmo que você o julgue um alienado, e antes de querer se tornar um porta-voz deste, por determinação de uma ideologia dominante – mesmo que supostamente justa - ouse ir além dessa aparência onipotente e encontre a pergunta qualitativa que lhe possibilitará reconhecer os mistérios que revelam as reais necessidades daqueles que você julga “alienado”.

Espiritualidade no trabalho é isso, vivência criativa, comprometida com a verdade que emana dos corações livres e autônomos, notadamente testemunhada por pessoas e grupos que se comunicam, e juntos dão forma ao mundo apoiados no respeito mútuo, no diálogo, na justiça e na solidariedade.

Encontre-se planamente preenchido (a) e guiado (a) pelo Espírito naquilo que faz, reconhecendo-se uma pessoa vinculada, comprometida e entusiástica. Encontre a sacralidade no que você vive e gere vida em abundância.



“Deus emerge cada vez que estremecemos em face do Sagrado de todas as coisas. A própria palavra Deus em sua origem sânscrita é significativa. Provém de “DI”, que significa brilhar e iluminar. Deus é uma experiência de luz, de descoberta daquela iluminação que espanta as trevas de nossa vida e nos mostra um caminho”. (Leonardo Bof f, 2006).



A Espiritualidade no trabalho significa um espírito vivo, intenso, pleno de verdade. É como o Elemento Fogo, tudo ou nada, não existe meio termo, nem muito menos um toma-lá-dá-cá. Qualquer forma de concessão tem como pano de fundo a manutenção de uma memória, de um desejo de conservação daquilo que se sabe e que está cristalizado como fonte absoluta de verdade.

A Espiritualidade no trabalho leva a pessoa e o grupo a ser fonte de verdade, experiência de luz e assim experimentarem aquilo que significa Deus. É viver o Espírito no espírito, assim sugere Leonardo Boff:



“Tenta sentir em ti as energias em ebulição, o desejo de vida e de comunicação, os impulsos para cima e para a frente e a capacidade de criar coisas novas.

Comporta-te não como um expectador ou um gestor dessa energia vital, mas como um celebrante. Através de tua própria vitalidade sente-te participante da Energia universal que te penetra.

Une-te ao Todo. Sente-te pedra, montanha, nuvem, mar, árvore, animal, pássaro, sol, estrela, e universo. Tu és um com todos eles.

Não temas! Tua singularidade não será destruída, ao contrário, será potencializada, porque te sentirás uma centelha de Fogo Universal que arde em ti e em todo o cosmo”.



A Espiritualidade no trabalho nada tem a ver com modismos ou receitas de sucesso, mas contrário a essas propagandas e receitas de falsas promessas tão comuns em nossos dias, cumpre com a ética e o compromisso com a vida.

Nesse caminho cada pessoa é autônoma, uma realidade tautológica socialmente enraizada em sua natureza biológica. Aqui não cabem atitudes de dependência, nem adoração mítica a nenhum “mestre”. Cada pessoa é responsável por aquilo que irá construir, sendo ela, apenas ela, o caminho, a verdade e a vida que se autopercebe quando prioriza cuidar do outro e do mundo sem expectativas, portanto, com liberdade e paz no coração.

O que mais importa para a conduta espiritual é que cada pessoa seja coerente com o sentimento de liberdade que vivencia quando se deixa ser plena no oferecimento de si ao outro, revelando o próprio DNA no modo como faz o que faz em sua metamorfose criativa. Ser todo em tudo que fazes em diferenciação e integração é a melhor definição de espiritualidade no trabalho.

A vivência do Ser-Vindo flui do desejo de vida plena e abundante para alguém ou para uma causa, neste caso não existem grades ou prisões externas que denotem dependências e atitudes reativas, mas a radicalização do amor incondicional revelado no vinculo que encarna o compromisso, a responsabilidade e as conseqüências, na certeza de que o amor não conhece impossíveis.