Fórum de Saberes





Em Busca de Sentido...
"... Pode-se tirar tudo de um homem exceto uma coisa: a última das liberdades humanas – escolher a própria atitude em qualquer circunstância, escolher o próprio caminho."  Viktor Frankl 

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Ciência e Espiritualidade
Ken Wilber

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A verdade é algo que não pode ser medido, o amor é a essência da liberdade...


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Cuidado com o Stress previna-se, compreenda o seu ritmo e vá tocando em frente... 

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Integrando saberes sobre vida e morte...
Cláudia Lisboa - Astrologia e a morte:

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"Amor diferenciado e indiferenciado"
Por Rolando Toro
Criador do Sistema Biodanza

Setembro de 2015
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A Vida é um Movimento sem Fim
Jiddu Krishnamurti, in 'Talks and Dialogues'
Eu acho que é sempre importante fazer perguntas fundamentais, mas quando fazemos uma pergunta fundamental, a maioria de nós está a procurar uma resposta, e desta forma a resposta será invariavelmente superficial, porque não existe resposta “sim ou não” para a vida. A vida é um movimento, um movimento sem fim, e para investigar esta coisa extraordinária chamada vida, com todos os seus aspectos inumeráveis, devemos colocar perguntas fundamentais e nunca ficar satisfeito com as respostas, por mais satisfatórias que estas possam parecer, porque no momento em que obtiver uma resposta, a mente chega a uma conclusão, e uma conclusão não é vida – é meramente um estado estático. Assim o que é importante é fazer as perguntas fundamentais mas nunca ficar satisfeito com as respostas, por mais inteligentes e por mais lógicas que sejam, porque a verdade da questão reside para além da conclusão, para além da resposta, para além da expressão verbal. A mente que coloca uma questão e fica satisfeita com uma mera explicação, uma expressão verbal, permanece superficial. Apenas a mente que coloca uma questão fundamental e que é capaz de perseguir essa questão até ao fim – apenas uma mente desse tipo é que pode descobrir o que é a verdade. 

29/06/2015
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"A vida se refaz no sentido pessoal e não no significado comum..."

Fortaleza, Outubro de 2014

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Ação e Idéia
(Krishnamurti)









É importante refletir e compreender o problema da ação e vê-lo claramente, porque toda a nossa existência é um processo de ação.
Vivemos numa seqüência de ações aparentemente sem relação umas com as outras, ações fragmentadas que levam à desintegração, à frustração. Esse é o problema que deve preocupar cada um de nós, porque vivemos pela ação; sem ação não há vida, não há experiência, não há pensamento. Pensamento é ação. Assim, simplesmente seguir a ação num nível particular de consciência, que é o exterior, focalizando a ação externa, sem compreender o seu processo total, leva inevitavelmente à frustração, ao sofrimento.
Nossa vida é uma série de ações, ou um processo de ação em diferentes níveis de consciência. A consciência está sempre experimentando, denominando e gravando. Portanto, consciência é desafio e reação, ou seja, experiência, e também denominação e gravação, isto é, memória. Esse processo é ação, não é? Consciência é ação e, sem desafio, sem reação, sem experiência, denominação ou gravação, que é a memória, não há ação.
A ação cria o agente, isto é, o agente começa a existir quando a ação tem um resultado, um fim em vista. Se não há resultado na ação, não existe o agente, mas se há um fimm ou um resultado em vista, a ação cria o agente. Assim, agente, ação e um fim ou resultado, formam um processo unitário, um processo único, que passa a existir quando a ação tem um fim em vista. Ação direcionada a um resultado é vontade. Se não for assim, não há vontade, certo? Um desejo de alcançar um fim cria a vontade, que, por sua vez, é o agente: “Quero escrever um livro, quero ser rico, quero pintar um quadro.”
Conhecemos bem esses três estados: o agente, a ação e o resultado. Essa é a nossa existência diária. Estou aplicando o que é, mas só começaremos a compreender como transformar o que é quando o examinarmos claramente, sem ilusões ou preconceitos, sem parcialidade. Esses três estados – o agente, a ação e o resultado -, que constituem a experiência, são um processo de transformação, não é? Se não há o agente, não há a ação direcionada a um fim, não há transformação. Sou pobre e ajo com um fim em vista, que é ficar rico. Sou feio e quero ficar bonito. Assim, a minha vida é um processo de transformação em alguma coisa. A vontade de ser é a vontade de se tornar algo, em diferentes níveis de consciência, em diferentes estados nos quais há desafio, reação, denominação e registro. Essa transformação é luta, é dor, não é? É uma batalha constante: Sou isto, quero me tornar aquilo.
Assim, então, o problema é: não há ação sem essa transformação? Não há ação sem essa dor, sem essa batalha constante? Se não há um fim, não há agente, porque ação com um fim em vista cria o agente. Pode haver ação sem um fim em vista e, dessa maneira, sem agente, isto é, sem o desejo de um resultado? Tal ação não é uma transformação, e assim não há luta. O que há é um estado de ação, de experiência, sem a participação daquele que experimenta e sem a experiência. Isso parece por demais filosófico, mas na verdade, é bastante simples.
No momento da experiência não estamos conscientes de nós mesmos, como um experimentador separado da experiência; estamos num estado de experimentação. Tomemos um exemplo muito simples. Você está zangado. Nesse momento de raiva não há o experimentador, nem a experiência; há apenas experimentação. Mas no instante em que você sai desse estado, há aquele que experimenta a experiência, o agente e a ação com um fim em vista, que é livrar-se da raiva ou contê-la. Estamos repetidamente nesse estado de experimentação, mas sempre saímos dele e o anulamos, dando-lhe um nome e gravando-o, assim dando continuidade à transformação.
Se pudermos compreender a ação no sentido fundamental da palavra, essa compreensão afetará também nossas atividades superficiais. Mas, primeiro, precisamos compreender a natureza fundamental da ação. A ação é causada por uma idéia? Temos primeiro uma idéia, então agimos? Ou a ação vem primeiro e, como a ação cria conflito construímos uma idéia em torno dela? A ação cria o agente, ou o agente vem antes?
É muito importante descobrir qual dos dois vem primeiro. Se é a idéia, a ação simplesmente adapta-se a ela, então não se trata mais de ação, mas de imitação, uma compulsão de acordo com uma idéia. É importante perceber isso porque, como a nossa sociedade é construída principalmente no nível intelectual, ou verbal, para todos nós a idéia vem primeiro, e a ação, depois. A ação então é a serva de uma idéia, e a mera construção de idéias é obviamente prejudicial à ação. Idéias criam mais idéias e, quando há criação de idéias, simplesmente, há antagonismo, e a sociedade fica desequilibrada por esse processo intelectual de ideação. Nossa estrutura social é muito intelectual. Cultivamos o intelecto a custa de todos os outros fatores de nossa existência e, assim, estamos sufocando sob o peso de idéias.
Podem as idéias produzir ação, ou elas simplesmente moldam o pensamento, limitando, dessa forma, a ação? Quando a ação é compelida por uma idéia, não pode liberar o homem. É da máxima importância entendermos esse ponto. Se uma idéia modela uma ação, a ação não pode trazer soluções para as nossas misérias, porque, antes de pôr a idéia em ação, é preciso descobrir como ela surgiu. A investigação da ideação, da construção de idéias, seja dos socialistas, dos capitalistas, dos comunistas ou das várias religiões, é de importância vital, principalmente quando a sociedade está à beira de um precipício, num verdadeiro convite a outra catástrofe, outra amputação. Aqueles que são verdadeiramente sinceros em sua intenção de descobrir a solução humana para os nossos muitos problemas devem, antes de tudo, compreender esse processo de ideação.
O que entendemos por “idéia”? Como surge uma idéia? A ação e a idéia podem juntar-se? Suponhamos que eu tenha uma idéia e queira pô-la em prática. Procuro um método para isso, e nós dois, você e eu, especulamos, gastamos tempo e energia, discutindo sobre o que devemos fazer para colocar a idéia em prática. Então, é realmente muito importante entender como as idéias surgem, porque é só depois de descobrir a verdade sobre isso que podemos discutir a questão da ação. Sem discutir idéias, descobrir como agir, discutir a ação simplesmente não faz sentido.
Como é que você tem uma idéia, uma bem simples, que não precisa ser a respeito de filosofia, economia ou religião? A idéia é o resultado de um processo de pensamento. Sem esse processo, não pode haver uma idéia. Então, é preciso compreender esse processo, antes que se possa compreender o seu produto, a idéia. O que queremos dizer por “pensamento”? Quando pensamos? É óbvio que o pensamento é o resultado de uma ação neurológica ou psicológica. É a reação imediata dos sentidos a uma sensação ou, então, é psicológica, a reação das lembranças armazenadas. Há a reação imediata dos nervos a uma sensação, e a reação psicológica das lembranças armazenadas, da influência da raça, do grupo, do guru, da família, da tradição, e assim por diante, e a tudo isso podemos chamar de pensamento. Observe a operação do próprio processo de pensamento, e você poderá testar diretamente a verdade disso. Você foi insultado por alguém, e esse fato permanece em sua memória, faz parte de seu passado. Quando encontra a pessoa- esse é o desafio -, a reação é a lembrança daquele insulto. Assim, a reação da lembrança, que é o processo do pensamento, cria uma idéia; portanto a idéia é sempre condicionada, e é importante entendermos isso. Dessa maneira, a idéia é o resultado do processo de pensamento é a reação da lembrança, e a lembrança é sempre condicionada. A lembrança está sempre no passado e cria vida no presente, despertada por um desafio. A lembrança não tem uma vida própria; só vive no presente quando confrontada com um desafio. E todas as lembranças adormecidas ou ativas, são condicionadas, não são?  
Essa questão da idéia, então, exige uma abordagem diferente. Você precisa descobrir sozinho se está agindo com base em uma idéia e se pode haver ação sem ideação. Vejamos o que é isso, uma ação que não se baseia em uma idéia.
Quando é que agimos sem ideação? Quando é que acontece uma ação que não é resultado da experiência? A ação baseada na experiência é, como já dissemos, limitante e, assim, um obstáculo. A ação que não é o resultado de uma idéia é espontânea, quando o processo de pensamento, que se baseia na experiência, não é uma ação controladora, o que significa que só há ação independente de experiência quando a mente não está controlando a ação. Isto é, o único estado em que há compreensão é aquele em que a mente, baseada na experiência, não está orientando a ação, em que o pensamento baseado na experiência, não está modelando a ação. O que é a ação quando não há processo do pensamento? Pode haver ação sem esse processo? Por exemplo: quero construir uma ponte ou uma casa. Conheço a técnica, e ela me ensina a construir o que desejo. Chamamos isso de ação. Há a ação de escrever uma poesia, de pintar um quadro, de assumir responsabilidades governamentais, de reagir ao meio social ou ambiental. Todas essas ações se baseiam em uma idéia, ou experiência prévia, que modela a ação. Mas pode existir ação quando não há ideação?
Tal ação certamente existe quando a idéia cessa, e a idéia cessa apenas quando há amor. Amor não é memória. Amor não é experiência. Amor não é o pensamento sobre a pessoa que amamos, pois isso é simplesmente pensamento. Não podemos pensar no amor. Você pode pensar na pessoa a quem ama ou a quem dedica devoção – seu guru, sua própria imagem, sua mulher, seu marido -, mas o pensamento, o símbolo, não é o real, que é o amor. Assim o amor não é uma experiência.
Quando há amor, há ação, não é? E essa ação não é libertadora? Ela não é resultado de mentalização e não há lacuna entre amor e ação, como acontece entre idéia e ação. A idéia é sempre antiga, lançando a sua sombra sobre o presente, e estamos constantemente tentando construir uma ponte entre ação e idéia. Quando há amor, que não é reflexão, que não é ideação, que não é lembrança, que não é o resultado de uma experiência, de uma disciplina praticada, então esse amor é ação. E é a única coisa que liberta. Enquanto há mentalização, enquanto há a modelagem da ação por uma idéia – ou seja, experiência -, não pode haver libertação. E, enquanto dura esse processo, toda ação é limitada. Quando a verdade disso é compreendida, a qualidade do amor, que não é mentalização, sobre a qual não se pode pensar, ganha existência.
Temos de estar conscientes desse processo total, do modo como as idéias são criadas, como a ação nasce de idéias, e como as idéias controlam a ação, assim limitando-a. Não importa de quem sejam as idéias, se são da esquerda, ou da extrema direita. Enquanto continuarmos agarrados a idéias, estamos num estado no qual não pode haver experiência alguma. Estamos vivendo meramente no campo do tempo, no passado, que nos dá mais sensação, ou no futuro, que é outra forma de sensação. Só pode haver experiência quando a mente está livre da idéia.
Idéias não são a verdade, e a verdade é algo que deve ser experimentado diretamente, a cada momento. Não é uma experiência que queremos, isso é mera sensação. Só quando deixamos para trás o pacote de idéias – que é o “eu”, que é a mente, que tem parcial ou completa continuidade -, só quando vamos além disso, quando o pensamento está em total silêncio, é que chegamos a um estado de experimentação. Então, saberemos o que é a verdade. 
  
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